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Viagens de Navio: Nos conte um pouco a seu
respeito e o trabalho que realiza?
Cadu E. Bueno Netto: Desde muito cedo sempre ligados a náutica e
tendo exercido funções executivas em estaleiro de grande porte nos anos 80,(
quando o Brasil era a 4ª industria naval do mundo ) a inicialização no
envolvimento com os cruzeiros marítimos foi um tanto fácil. O difícil, porem,
foi apreender a recebê-los desenvolvendo estrutura receptiva com muito
investimento indo ao exterior - principalmente Mediterrâneo - pagando para
apreender o é e o não é do setor. Este investimento naturalmente nos destacou no
setor e pagamos alguns preços do inovador e empreendedor mais ousado. Passados
12 anos da primeira temporada de cruzeiros, hoje acumulamos um expressiva
quilometragem por termos operado mais de 350 escalas de cruzeiros no PORTO
VELEIRO, criando uma certa referência no setor, pois sua equipe o tornou o maior
Porto brasileiro em volume de escalas de cruzeiros. A entidade que presidimos
-BRASILCRUISE - surgiu num movimento natural de aglutinação de um setor nascente
e nosso envolvimento com a mesma foi também um desdobramento natural com
resultados expressivos, porem com uma atuação muito lenta pois nós brasileiros
não temos um mentalidade associativa forte e a maioria dos sócios são
prefeituras que não se dedicam a entidade perseguindo resultados/objetivos. Mas
estamos andando bem, apesar de uma velocidade inferior a necessária num mercado
em tamanha expansão. Quanto ao PORTO VELEIRO entramos numa fase de ampliação
estando no momento com projeto de expansão na Marinha, FEEMA e etc. pois o
crescimento da estrutura física se tornou urgente para acompanhar o crescimento
do mercado brasileiro, porem a média brasileira de criação e ampliação de PORTOS
TURÍSTICOS está na faixa de 3 a 5 anos, por causa das aprovações/licenças
diversas, o que é lamentável.
Viagens de Navio: Qual o objetivo da Brasil Cruise e quais os trabalhos
realiza?
Cadu E. Bueno Netto:
Em primeiro lugar, representar os interesses dos Portos Turísticos junto aos
Governos Federal, Estaduais e Municipais e suas Entidades, visando o
desenvolvimento e a regulação das atividades do setor, bem como, dos Cruzeiros
Marítimos no território Brasileiro;
Em segundo lugar, representar os interesses dos Portos Turísticos junto às
Companhias de cruzeiros marítimos e seus representantes no Brasil e no exterior;
desenvolver normas de utilização dos Terminais de Cruzeiros Marítimos, de forma
a privilegiar as economias locais, a divulgação de seus destinos e a negociação
das tarifas de uso de terminais com as companhias marítimas, após consenso
interno, considerando as características do processo receptivo de cada local;
propiciar o incremento de utilização da mão de obra local, buscando o
desenvolvimento da base turística receptiva de cada localidade. Não esquecendo
de viabilizar e organizar a participação dos Terminais Turísticos em feiras,
eventos e similares, no Brasil e no exterior, com o objetivo de divulgar os
Portos Turísticos Brasileiros; e por ultimo trabalhar no desenvolvimento de um
Banco de Dados das atividades dos Portos Turísticos Brasileiros, para divulgação
de estatísticas operacionais e mercadológicas.
A entidade tem basicamente os seis objetivos elencados, porem vem atualmente
focando sua atuação no desenvolvimento de novas alternativas de escalas na costa
brasileira,( diversos projetos em andamento/desenvolvimento) regulamentação
básica da atividade/setor, no momento junto a ANTAQ, gestões junto a EMBRATUR na
construção da adequada representação dos PORTOS TURÍSTICOS brasileiros na
SEATRADE na atração de navios de Longo Curso, a definição de recursos junto ao
OGU, via MTUR, para investimentos na expansão dos atuais Portos Turísticos e na
ampliação dos existentes e recentemente se consagrou a linha da necessidade de
atuação conjunta com a ABREMAR como, solução para a agilização das soluções do
setor.
Viagens de Navio: A Briga entre "resorts" e
"armadores", quem tem razão? e porque?
Cadu E. Bueno Netto: Todos tem razão, principalmente o
mercado consumidor que ganhou alternativas adicionais. Os cruzeiros são
alternativas novas no mercado de turismo brasileiro e crescem,
principalmente,face ao nível de desenvolvimento profissional praticado pelas
operadoras através de um marketing eficiente e agressivo e muita organização. Os
resorts tem seu mercado/espaço, não concorrem exatamente com os cruzeiros, como
as próprias pesquisas registram. Muitos dos resorts estão com dificuldades face
ao super dimensionamento de seus projetos econômicos de implantação com taxas de
ocupação projetadas extremamente elevadas que não se efetivam comprometendo seus
retornos e viabilidade.
Um marketing acomodado dos resorts não os têm ajudado e a "identificação de
culpados" pela crise do setor não deixa de ser uma estratégia de justificação de
pleitos e de inadimplência junto aos Fundos/Linhas de Crédito governamentais que
os financiaram na implementação.
Viagens de Navio: Qual a maior dificuldade
do Brasil na captação de navios de longo curso para visitar os portos
Brasileiros, aumentando o numero de visitantes estrangeiros em nosso pais?
Cadu E. Bueno Netto:
Nossa péssima representação na SEATRADE com um modelo totalmente inadequado e
com péssima localização e visibilidade é um dos fatores . O mercado de maior
crescimento mundial tem que ser adequadamente representado naquele evento
tradicional de armadores e destinos. Porem a dificuldade maior reside no não
adequado entendimento das autoridades brasileiras federais - fiscais e de
imigração - do "como" estes navios operam em todo o mundo e o quanto perdemos
por não criarmos condições de regulamentação para recebê-los em maior proporção.
Na realidade tudo "fazemos para eles não virem"
Viagens de Navio: Qual o impacto dos navios
de cruzeiro na cidade de Búzios?
Cadu E. Bueno Netto:
Os cruzeiros se consagraram em Búzios e Búzios, por ter sido o 1º Porto
Turístico a desenvolver um receptivo efetivamente profissional e privado, se
destacou dos demais sendo sempre eleito como o destino de maior quantidade de
escalas no Brasil pelos armadores. Quanto mais organizado e profissional o
receptivo, maior é o volume de gastos dos turistas na cidade sendo a média em
Búzios de R$ 150,00 a R$ 200,00 por passageiro/dia. O impacto da transferência
de renda para a cidade é expressivo e se iguala a temporada normal de verão
sendo hoje o maior peso na economia da cidade.
Este ano com 104 escalas teremos em torno de 170.000 turistas que vão
representar mais de R$ 25.000.000,00 no comercio da cidade.
Quantidade expressiva destes turistas, que foram bem recebidos na cidade no dia
da escala do navio, retornam após a temporada para melhor conhecer a cidade e
desfrutar de suas atratividades, fazendo os cruzeiros, no caso, um papel de
divulgador do destino.
Viagens de Navio: Qual o futuro do setor de
cruzeiros marítimos no Brasil?
Cadu E. Bueno Netto:
As nossas deficiências de infra-estrutura nos grandes portos e nas cidades com
Portos Turísticos vão travar o excepcional crescimento dos cruzeiros no Brasil,
que nos últimos 2 anos cravou uma expansão de mais de 30% a.a., sendo o maior crescimento no mercado mundial.Esta temporada 2007/2008 teremos mais de 430.000
turistas nos cruzeiros que representará quase 4% do mercado mundial. O mercado
brasileiro é estimado em mais de 1,5 milhão de pax , mas ficaremos um bom tempo
travados na faixa de 500/600 mil face as deficiências de infra-estrutura ,
lamentavelmente.
Temos que correr para fugir do "apagão" do cruzeiro !
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